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14.4.09

13 de abril - fazer das tripas coração

a rotina da manhã: acordar, vestir, arrumar! prontos para partir! destino: palaçoulo. pequena paragem na sala onde estão os aparelhos da musculação e dar uns quantos murros no saco de boxe, dizendo “vão ser 65 kms, hoje… vamos conseguir, vamos conseguir!” respirar fundo e estava mesmo pronta e mentalizada que seriam 65 km! é o que o rafael diz, foi o que o Rafael viu na net, a tanya acredita no Rafael!
“eu vou, eu vou eu vou para palaçoulo eu vou”. comprar pão, parar no mini preço e comprar mais umas quantas coisas para fazer peso nas bicicletas, e devagar abalamos de vila nova de foz côa. mas antes da verdadeira despedida, paramos numa pequena capela para tomar o pequeno almoço que ainda não tínhamos tomado: leite achocolatado e pão com queijo. o início do caminho foi a descer e o frio era muito… foram 10 km de boa vida! as primeiras subidas… nem me quero lembrar! sinto-me cansada, as pernas pesadas e foi muito difícil… só pensava que tinha de comer beterraba pois dizem que faz bem às mulheres, depois lembrei-me da minha mãe “come bananas, tem muito ferro e magnésio!” lá foi o rafael comprar bananas! não consegui admirar a paisagens, só via alcatrão e pensava que não ia conseguir aguentar até ao destino… sentia-me mesmo pesada. não conseguia apanhar-lhe o ritmo e ele lá me ia ajudando a empurrar a bicicleta nas maiores subidas… não sei se foi da banana mas o meu corpo já se estava a recompor, lá ia pedalando mas sem nunca apreciar a paisagem, embora conseguisse ver que as montanhas eram mais pequenas! estamos a aproximar-nos de espanha! ia morrendo quando vimos uma placa que dizia “miranda 96km” isso significava que para chegar ao nosso destino tínhamos de pedalar 76 km e já tínhamos 20 kms no corpo… só podia ser engano. queria acreditar que era engano. paramos para comprar pão, sem sucesso, não havia pão para venda ao público. pedi se era possível ir à casa de banho, também sem sucesso, foi-me negado o pedido… tive de pedalar de bexiga cheia sem existir um cantinho para me aliviar. lá conseguimos comprar pão. uma senhora já de idade, pequenina, abriu-nos a porta e ainda me acompanhou até à casa de banho! santa senhora. o pão estava quentinho e cheirava tão bem! queríamos fazer pelo menos mais 15kms da parte da manhã, para pedalarmos menos depois. não custou tanto, as subidas não eram tão íngremes e depressa chegamos ao sítio do piquenique! o almoço foi um pouco diferente, além do pão com queijo, tínhamos salsichas vegetarianas também para pôr no pão! Delícia! De volta às bicicletas! Continuar a pedalar e finalmente vejo 65 km no conta-quilómetros mas não posso ficar contente com o finalmente… ainda tínhamos muito que pedalar! não estava a acreditar no que estava a acontecer! estávamos muito longe do destino e começou a chover… mas não foi grande a molha! depressa parou. não aguentava mais! já estávamos com 75 km e perguntamos se estávamos no caminho certo, a resposta foi positiva mas não me agradou saber que ainda faltavam 25kms… numa das subidas tive de parar, o que deixou o rafael chateado pois ele estava num bom ritmo, eu já não aguentava e vê-lo chateado por eu não conseguir seguir ao ritmo dele deixou-me bastante em baixo… pela primeira vez na viagem, em poucos dias, tive vontade de chorar, mas não podia perder energias com isso e tentei resistir! fiz das tripas coração e pedalei o mais que pude! quando via uma subida pedalava o máximo até chegar a ela e tentava não ir abaixo. lá consegui… lá consegui fazer 109 kms num dia… foi difícil mas já passou! mas sinto o corpo cansado! lá chegamos ao destino e fomos tão bem recebidos por um casal amigo do pai do Rafael. chegamos à casa e tínhamos sopa à nossa espera! hum! banho quente e noite agradável na conversa e com tanta comida à nossa frente! mais um dia conseguido! agora, preparo-me para dormir, o meu corpo pede descanso!

12 de abril - o tal sobe e desce


acordar cedinho e voltar à nossa pequena rotina matinal: vestir sem o famoso banho e arrumar as tralhas. dormimos com os colchões que os bombeiros de pinhão nos disponibilizaram! desde já agradeço toda a disponibilidade e simpatia! o pequeno-almoço foi docinho, bolo de chocolate, bolachas com geleia e água da garrafa da bicicleta. estávamos prontos para partir! o joelho do rafael não estava famoso, por isso tivemos que optar por ir até vila nova de foz côa. alfândega da fé, supostamente o nosso destino desse dia, ficou de lado, pois ouvimos dizer que havia muitas subidas. sabendo disso, desejei ir até vila nova de foz côa! Mesmo estando boa do joelho, tento fugir das subidas!

os primeiros kms foram complicados para o rafael… queixava-se de dores e parávamos muitas vezes, coisa que para mim foi bom porque já ia a morrer. pegávamos nas bicicletas à mão e fazíamos o caminho à mão e posso dizer que era complicado apanhar o rafael… ia sempre à minha frente e eu a ficar para trás. põe ligadura, tira ligadura… e as pontadas de dores continuavam. a solução foi tomar um clonix. lá ia pedalando com o pé esquerdo sem forçar o direito, e eu com os dois pés ia ficando atrás e dizia “se quiseres parar, paramos, não forces o joelho!” na esperança de descansar um pouco. as não… ele estava a aguentar bem e eu que remédio se não pedalar!

como pôr por palavras aquilo que via? tentava não pensar nas subidas olhando para a paisagem, para as montanhas cobertas por uma manta de retalhos. como portugal é lindo e tão diferente! os subidas já não custavam tanto, estava a aguentar bem. O truque é não olhar para o conta-quilómetros de um em um minuto, pois dá a sensação que não andamos nada. olhar para a natureza também ajuda. mas é um truque que não dura para sempre, e chega uma altura que o cansaço é tanto, que somos obrigados a levar as bicicletas ao nosso lado. pequenas paragens para pôr e tirar roupa, outras para comer chocolates. queríamos fazer o máximo de kms antes de almoçar. o passar por uma pequena aldeia, o meu ego ficou em cima! lá ia a tanya com a bicicleta ao lado, nos super sexys calções de ciclistas quando passo por uns senhores que se exprimiram da seguinte forma “és boa como o milho”, há muito que não ouvia a expressão. podia não ser para mim, mas senti-me super boa metida nos famosos calções, com pêlos nas pernas e nódoas negras a decorarem!

hora do tão esperado almoço! abrigados do vento dentro de uma pequena paragem de autocarro, no meio do nada, comemos umas sandes com queijo, e eu como gosto de misturas, juntei geleia! que delicia que acabou depressa e lá voltamos ao sobe e desce. Vila nova de foz côa estava perto, conseguíamos avistar ao longe e nesse momento o meu corpo premiou-me com a chegada da menstruação… serão dias difíceis os próximos…

finalmente chegamos ao destino, e mais uma noite passada nos bombeiros! mais uma vez fomos bem recebidos! minutos depois apareceu o cláudio, um amigo que trabalhou com o rafael. não tivemos muito tempo à conversa pois o banho quente esperava por nós! ficamos os dois numa camarata, e depressa fizemos daquilo nosso! Banho tomado (o melhor do dia) e depois foi a vez da roupa ficar de molho! o afael preparou o jantar, massa com cogumelos bastante picantes e muito alho! chama-me para jantar e por pouco que só tínhamos cogumelos para comer… pois ele usou um testo mais pequeno e ao tapar, criou vácuo e não conseguíamos abrir! passamos uns bons minutos e conseguia ver o desespero na cara do rafael!dDepois de muitas pancadas, conseguimos avistar a massa e o jantar tornou-se delicioso!

tínhamos de actualizar os blog… enquanto o rafael ia escrevendo eu ia fechando os olhos aos poucos… e pronto… não deu para actualizar o meu. depressa me deitei e não me lembro de ter adormecido!

12.4.09

11 de abril - assim sim!


como foi difícil acordar! o despertador tocou bem cedo sem pena. a noite anterior tornou-se comprida, recheada de conversas agradáveis. enquanto eu e o rafael preparávamos uma refeição rápida, (rápida, pois a neusa não estava em casa e não pudemos deliciar-nos, mais uma vez, com os seus cozinhados) o rui e o rodrigo estavam a trabalhar no novo projecto, o qual adorei e quero ajudar a espalhar a sua música, por isso cá vai: www.myspace.com/didgenbass. no fim do jantar soubemos que o rodrigo tinha vários conhecimentos em bicicletas e como curar os seus dói-dóis. lá foi o rafael aprender alguma coisa e eu fiquei na conversa com o rui. a conversa ia crescendo e os dois meninos nunca mais apareciam e vai daí a tanya aceita uma mini (uma não faz mal a ninguém). já feita a inspecção às bicicletas, os dois meninos entram em casa com vontade de se juntarem à mesa. as horas iam passando e repetíamos a frase “temos de nos deitar cedo” mas há jogos que quando se começa, torna-se difícil parar. truques de cartas e mais uns quantos jogos que são motivo suficiente para perguntar ao outro “estás a sentir-te mesmo burro, não estás?”. obrigamo-nos a ir para a cama pedindo ao rodrigo para não ressonar pois precisávamos de descansar.

a noite soube a pouco, o despertador depressa tocou. a manhã estava sem neve e sem sinal de chuva. preparar a massinha para o caminho e arrumar tudo nos sacos e como prémio destas actividades domésticas… um baaanho quente!

prontos para sair! um abraço, um até já e pés nos pedais!... mentira… os primeiros metros foram a subir com as bicicletas à mão! Sabíamos que o dia de hoje seria tranquilo. o destino: pinhão. tínhamos que descer até beira rio.

primeira paragem no fim da subida para telefonar à família e agora sim, rabo no selim! alguns metros depois, nova paragem. sim, porque somos meninos nestas andanças e é difícil saber o que havemos de vestir. o vento era frio de cortar! não sentia os dedos, ou melhor, sentia dores nos dedos! troca de luvas! agora sim, sim mesmo, rabos no selim. agora quentinhos sempre a descer! descer até doer as mãos de tanto travar! mas como gosto! estávamos mesmo com cara de felicidade com tantas descidas e com paisagens, onde dá gosto pedalar. uma fotografia aqui, outra ali. foram 30 e muitos kms sem tocar nas mudanças que estavam nas mais altas! tudo estava a correr bem! até que… o rafael começou a queixar-se do joelho e quando ele se queixa é porque está mesmo com dores. fomos obrigados a almoçar mais cedo para podermos parar e ele descansar o joelho. o almoço foi numa barragem que fica a 18 km de pinhão. aí pude ver como os barcos passavam de um lado para o outro, confesso que ainda não tinha visto. agora o rafael estava de ligadura no joelho e assim já podíamos partir. alguns kms à frente, um carro parou e fizeram-nos sinal para parar com um grande sorriso! que coincidência! era um casal que estava em guimarães na noite em que fomos falar sobre a viagem, no terra de ninguém. é sempre bom encontrar pessoas que já conhecemos e que nos dão força e assim sem estarmos à espera faz com que possamos pedalar algum tempo com um sorriso.

chegamos depressa ao pinhão! foram 59 kms feitos a brincar (menos o Rafael que não teve sorte nesta brincadeira) e se todos os dias fossem assim, faria 3 voltas ao mundo! terminamos a nossa viagem da mesma forma como começamos, empurrando as bicicletas até chegarmos aos bombeiros onde estamos a passar a noite. ficamos na sala de aula porque como sou menina, não poderia ficar a dormir nas camaratas com tantos bombeiros… assim, deram-nos dois colchões e temos o nosso ninho pronto.

fomos visitar pinhão. em dez minutos atravessamos duma ponta à outra. os males do Rafael não são só no joelho… quando estávamos a descansar ao sol, ele teve um intruso a enfiar-se nele. uma farpa de madeira entrou fundo e não conseguimos tirar. é uma missão impossível! ele foi com pinça, ele foi com faca… acho que vamos dormir os três, eu, o rafael e a farpa de madeira.

de novo nos bombeiros prontos para cozinhar: massa com pesto (que andamos a comer há 3 dias) e uma lata de feijão com tomate! melhor que bolo de chocolate!

hoje sim, quero e vou, porque posso, deitar-me cedo com um aroma no ar a chulé… esse é que é o espírito de um viajante: aguentar com todos os cheiros!

amanhã, nova etapa!

10.4.09

10 de abril - dia de descanso -





acordamos com neve e muito frio. hoje não pedalamos, aproveitamos para descanar, comer comidinha boa e escrever nos blog.
amanhã o destino é pinhão, penso que será tranquilo. mas teremos um inimigo: o frio!

8 de abril - dia da partida


o dia começou bem cedo: 7:30 e o despertador deu sinal de vida. “é hoje…” primeiro pensamento do dia. ainda deitados tivemos tempo para uns abraços com os cães no nosso meio. como dizer a um cão que não o estamos a abandonar? que voltamos para ele? que o adoramos? como dizer isso à duda e ao t?
adoro tomar banho! é um dos meus prazeres matinais. tão cedo não voltarei a tomar no conforto do lar da mãe do rafael, nem volto à minha pequena rotina de me despir, usar a balança e entrar no duche. o banho não foi assim tão tranquilo e relaxante, “é hoje…” e esse “é hoje…” suava tão estranho… não sei explicar como me estava a sentir, só sei que tinha chegado o momento pelo qual esperávamos já há muito tempo. tudo o que imaginávamos para a viagem, as imagens que íamos criando, o que íamos lendo na internet, estava a tornar-se realidade. é a nossa história que está a começar e hoje é o primeiro dia! era hoje que iríamos pegar nas bicicletas com toda a nossa tralha e seguir em frente, era hoje o dia da despedida, dia este em que não voltaríamos para casa, onde há sempre coisas boas à nossa espera. assim, de repente lembrei-me do bolo de chocolate que devorava!
estava na hora de pegar nas bicicletas e pedalar até à oficina do garfo, ponto de encontro para o “até já”. já conseguia avistar algumas pessoas e o nó na garganta começava a aparecer ao ver que a minha mãe estava lá com o meu irmão, cunhada e o meu super lindo sobrinho. último café em terra vareira, últimas palavras com a família de ambas as partes, e abraços fortes à duda e ao t que estavam sem perceber o que se estava a passar. não nos podíamos demorar mais, o momento da partida tinha de ser feita. sentar os “filhotes” no banco de trás do carro, e últimos beijos. abraços, lágrimas que se misturavam com um obrigada por tudo e até já.
cá vamos nós! o que nos esperará? estes dias serão de descobertas. primeira curva feita e ouço o rafael a pedir para parar. “teve um furo”, pensei. não havia furo, havia sim a falta de um abraço forte, de um olhar que dizia para termos forças por ter chegado o momento! “é hoje…” os 2numundo estão prontos!
passado 6 km e já estava a morrer! não conseguia pôr as mudanças mais baixas. nova técnica: sair da bicicleta, o Rafael levantava a parte de trás e eu com as mãozinhas rodava o pedal até entrar a bela mudança destinada para as grandes subidas. a bicicleta do Rafael, oferecia-nos música ambiente, um barulhinho aqui, outro ali… e a sua corrente saltou 3 vezes, coisa que nunca tinha acontecido nos treinos (como se tivéssemos treinado muito…) lá fomos pedalando, e parando algumas vezes para comer umas coisinhas e ir tirando a roupa pois já sentia calor com tantas subidas.
“faltam 16 km” diz-me o Rafael e passado um pouco vejo uma placa que diz “Arouca – 22km”… não o ia esganar logo no primeiro dia. ainda bem que não o fiz pois tinha razão. o nosso destino não era arouca, iríamos ficar uns kms antes, em várzea.
“quando vires um sítio agradável pára para almoçarmos”. poucos kms depois lá estava o tal sítio agradável à nossa espera. uma mesinha de pedra com quatro bancos também esses de pedra, mas preferimos o banco de madeira que estava ao longo do muro. há olhares e sorrisos ao longe. pára um carro e de lá sai uma senhora que vem na nossa direcção e diz “olá, vocês vão ficar em minha casa” a qual o rafael perguntou como é que ela sabia… não precisávamos da resposta pois a pergunta foi um pouco ridícula… dois ciclistas com um atrelado… só podíamos ser nós! essa bela senhora que só me apeteceu abraçá-la quando me disse que estávamos perto que agora era sempre a descer! descer! depressa chegamos, foram mais de 10 km sem parar!
chegamos e em casa estava um casal à nossa espera, pais da senhora que encontrámos. fomos muito bem acolhidos e com direito a banho quente! hum adoro! amanhã espera-nos um dia difícil. até chegar a campo benfeito sei que vamos encontrar grandes subidas monstruosas mas com descidas deliciosas. vamos descansar para conseguirmos enfrentar o dia de amanhã.

9 de abril - ninguém disse que ia ser fácil!

prontos para o segundo dia! destino: campo benfeito! aldeia com 60 habitantes! aldeia que gosto muito e onde estive a trabalhar, no teatro regional da serra do montemuro. bom destino para segundo dia de viagem, pois é sempre bom voltar e abraçar quem gostamos.
saimos cedo de várzea mas atrasamo-nos com a ida ao super mercado. às 10h tinhamos as compras feitas e prontos para partir! não fazia a mínima ideia do que nos esperava! os primeiros kms foram de morrer! sobe montanha, desce montanha (adoro) e estava outra montanha à nossa espera... as mudanças ainda não estão a 100% mas assim que mudei para as mais baixas, nunca mais voltei a precisar das outras! se não conseguia subir com as mudanças que tinha, saia da bicicleta e levava-a à mão... mas quem disse que era fácil puxar a bicicleta com o peso todo? parece tão fácil imaginar mas quando estamos com ela nas mãos e tentamos dar um passo e não conseguimos... facil é que não é! até tentava empurar a bicicleta com a cabeça para ver se seria mais facil, mas pouco ajudou... e via o rafael cada vez a ficar mais longe, e via uma curva e só pedia para ser uma descida, mas não, depois da curva era outra subida a rir-se para nós! muita água bebia e nenhuma estava na bexiga! chegámos ao topo da montanha e estava a escorrer, o cabelo molhado a respiração descontrolada! os meus olhos sorriam ao ver a descida que tinhamos à frente. rabo no selim e aqui vamos nóóóóós! era lindo o que os meus olhos viam, a serra e as suas cores, a vento fresco, o cabelo a esvoaçar... passou tudo tão depressa, nem deu para saborear a descida. nova subida, três pedaladas e... está quieto. desisto! os músculos arrefecem na descida e recusam a pedalar! estava a ver a montanha e o rafael dizia "temos que chegar ao topo". pois claro, ninguém disse que ia ser fácil... empurra tanya e bebe água e respira. (preciso de aprender a respirar) a água estava a acabar e a garganta ficava cada vez mais seca. paramos para descansar e comer uma barra energética na esperança das pernas pedalarem sozinhas. estavam duas senhoras, a quem perguntamos se era possivel encher as garrafas. ofereceram-nos água do reacho, fresquinha, deliciosa e que tem de durar muito tempo! prontos para partir, ainda tinhamos muito tempo para pedalar visto que só tinhamos feito pouco mais de 20 kms e na internet dizia-nos que eram precisos 54 kms para chegar ao nosso destino. lá fomos nós com muitas parecenças no caminho com a diferença de estar cada vez mais cansada! estremamente cansada! só tinha vontade de dizer "acampo já aqui!" já não gostava das descidas, porque pensava "porque que estamos a descer se já estou a avistar a montanha que temos de subir!" foi desesperante para o segundo dia, não estava preparada psicologicamente para isso, mas lá nos iamos rindo e fazendo pequenos vídeos. só podiamos rir e confessar que éramos mesmo doidos!
hora do almoço: pão com queijo com sabor a bolo de chocolate! não estavamos sozinhos, formigas xxl estavam connosco. não sei quanto kms já tinhamos feitos mas sei que ainda não tinham sido 35 kms. já passava das 13:30, tinhamos que nos pôr a caminho. volta o cenário de sobe sobe sobe, desce e sobe sobe sobe. juro que começava a ficar desesperada, bicicleta sempre à mão e o rafael cada vez mais longe até perder de vista, e passado um pouco lá vinha ele sem a bicicleta para me ajudar. santo homem! mas tenho de ser capaz sozinha, tenho que ter mais força, tenho de conseguir acompanha-lo, mas sei que não vou conseguir numa semana, mas sei que vou conseguir (é bom pensar positivamente).
cá está a tanya a descer a ganhar lanço para a subida que estava mesmo à minha frente. do nosso lado direito, umas cabrinhas a alimentar-se com boa erva, e no preciso momento em que ganho coragem para subir o rafael tenta adivinhar o pensamento da cabra e sai-se com esta: "e eu é que tenho um amigo que se chama burro" gargalhada atrás de gargalhada, e lá se foi a força para pedalar. novamente com a biciclicleta nas mãos. a água já tinha desaparecido mas por sorte, mesmo a nossa frente, estava um novo reacho. bendita água!
passávamos por terrinhas pequeninas e os olhares focavam em nós, deviamos ser seres estranhos... pediamos informações sobre o caminho e tinhamos sempre um dedo a apontar o caminho. repete o cenário, sobe e desce. muitas paragens, muito desespero e corpo cansado e novos vídeos para nos rirmos um pouco.
chegamos a um cruzamento e a nossa dúvida: é para a esquerda ou para a direita? passou um carro e fizemos sinal para parar. era para a esquerda e depois sempre em frente. bela descida! chegamos lá abaixo e não percebemos o sempre em frente pois éramos obrigados a curtar à direita ou à esquerda... arriscamos à esquerda e fomos sempre a descer. paramos para perguntar se estavamos na direcção certa. "ai.. por aqui vão dar uma grande volta, e vão subir muito! estão a ver aquela montanha? tem de passar para o outro lado! tinham que ter curtado à direita lá em cima. são só 3 kms, não é muito". não é muito? 3 kms a subir com a bicicleta à mão? devo chorar ou continuar? claro que tínhamos de continuar e agora iríamos continuar à chuva pois começou a chover torrencialmente! não queríamos parar para tirar os impermeáveis, só queríamos chegar lá acima e claro, sem a ajuda de nenhum santo.
agora sim, na direcção certa e estávamos a descer. chegamos a uma nova terrinha e fomos obrigados a parar pois as mãos estavam geladas e as luvas todas molhadas, assim como as nossas pessoas. luvas novas e roupa impermeável, cansados mas prontos para partir, depois de novas indicações.
nova terrinha, e perguntamos se estávamos bem “ui, por aí é muito longe… deviam ter ido por (e lá vem o nome de uma terra)” mas disseram-nos que era por aqui… voltar para trás já não voltamos já que também dava por aqui. A bateria do telemóvel foi abaixo…
e o cenário repete-se, subir e descer, por meio de bela paisagem! mas só queria chegar ao destino. os 52 kms já tinham passado e ainda estávamos muito longe.
já avistavamos castro daire, era bom sinal pois era um sítio que conhecíamos e estavamos perto do destino. empurrar a bicicleta até lá, já com a luz acesa pois já começava a escurecer. chegamos a castro daire! “ devem faltar 8 ou 10km” dizia o Rafael. “boa noite, para campo benfeito?”, “ah! ainda tem muito que andar, vão por ali que é mais perto”, “e quantos kms são?”, “ uns 25 kms” ok, mudança de planos para simplificar as nossas vidas, pois já estávamos com 70 km nas pernas, nos braços, no rabo… o plano do rafael foi “vamos até aos bombeiros, deixamos lá as bicicletas e a Neusa vem buscar-nos.” e assim foi, tinha de ser assim, só podia ser assim. lá fomos para os bombeiros, onde nos deixaram carregar o telemóvel. as bicicletas ficaram lá e fomos de carrinho para campo benfeito. era impossível continuar, eram 21h, frio, chuva e fome. ou ficávamos a dormir em castro daire ou vinham-nos salvar.
já em casa, banho quente, comida já feita e rodeados de grande amigos que adoro numa terrinha que adoro.
etapa conseguida com muito custo mas isso é porque somos doidos: ninguém faz 70 kms num dia no segundo dia de viagem… não sei, digo eu.


pequena nota: 9 de abril, comemoramos o nosso aniversário de namoro no meio da serra!

hum... que bom

pedaços de mim