
já nos despedimos da polónia… há países que custa virar costas e seguir caminho. polónia foi daqueles países que gostamos mal entramos. encontramos pessoas a sorrir e isso para nós é muito bom! o que para nós não foi muito bom, foi o caminho que percorremos… ai mãe! era tudo muito monótono e cansativo. longas rectas onde à nossa direita avistávamos campos de trigo a perder de vista e a nossa esquerda, também a perder de vista, campos de trigo! não precisamos nunca de ligar o gps. não havia forma de nos perdermos, pois o caminho era sempre em frente, não há que enganar amigo! voltamos ao sobe e desce, como ondas em alcatrão e desta vez o alcatrão não estava a nosso favor. já não tínhamos
as pistas para ciclismo, o que tínhamos era uma estrada cheia de camiões e em muito mau estado.
vergonha de dizer que tinha umas pequenas feridas no rabo… se não fosse tão pesado, colocava um banco de carro na bicicleta! o que me alegrava era saber que iríamos ficar alguns dias a descansar na próxima cidade, em wroclaw. para ter esse prémio, tivemos que ultrapassar o dia mais difícil! claro que há uma explicação para aquilo que passamos e resume-se assim: a polónia foi um dos país escolhidos para o europeu de futebol em 2012 o que significa, obras nas estradas. a polónia não tem muitas opções de caminhos, o que nos obrigou a pedalar junto a centenas de camiões. agora vamos somar o calor, a humidade, as melgas entre outros bichinhos, as obras, o calor do alcatrão, o calor dos camiões, o tentar pedalar dando o nosso máximo pois sentíamos uma fila de camiões atrás de nós… foi duro, muito duro!
habitantes! chegamos, olhamos à volta e achamos por bem pedir se seria possível ficar por duas noites! tínhamos aterrado num pequeno paraíso. uma enorme quinta com cavalos, cabras, gatos, um cão que nos visitava apenas à noite, ratos que apareciam mortos ou na boca de um gato. íamos buscar o leite acabado de ser tirado da vaca, íamos buscar as cabras e guardá-las para passarem a noite quentinhas, tirar o leite à cabra mais velha e aprender que quando ela não quer dar mais leite, “fecha a torneira” mesmo tendo ainda muito leite. encontrar uma sauna artesanal no meio do nada. cozinhamos numa cozinha ao ar livre olhando para as teias de aranha à nossa volta. tudo é natural e despreocupado. o jurek e o kuba, foram impecáveis e passamos uns momentos a falar em português com o kuba que estragou o bom momento quando nos avisou que no quarto onde estávamos, também estava um fantasma e que várias pessoas já o sentiram… pronto, estragou tudo! já não subi sozinha! esperava pelo rafael e dormimos juntinhos como há muito não dormíamos! dormimos numa cama de palha e posso dizer que foi das camas mais confortáveis onde já dormi!
tivemos de telefonar ao jurek para lhes telefonar e explicar a nossa situação. conseguimos entrar e montar a tenda mas sentimo-nos como bichos estranhos… fazíamos a nossa vidinha sem falar com ninguém. os cavalos andavam à solta ao nosso lado assim como os porcos pretos. era tudo novo para mim!